Dezembro de 2009 : Maitê, amiguissima desde a infância, me diz que os seus ex-chefes iriam precisar de alguém para acompanhá-los (uma espécie de tradutora) em uma feira de tecidos em Paris no mês de fevereiro.
13 de Janeiro : Alessandra (ex-chefe da Maitê) me manda um e-mail dizendo que a Maitê tinha me indicado para o "serviço", e se eu estivesse interessada, que mandasse uma proposta de preço.
7 de Fevereiro: Depois de três horas de trem eu chego em Paris e,sem dúvida, foi amor a primeira vista. Eu teria seis dias para ficar por lá, e aquela pressa de "ter" que conhecer tudo, visitar museus, igrejas, ruas, parques e etc simplesmente evaporou no momento em que coloquei meus pés na cidade. Eu já tinha certeza absoluta que eu voltaria muitas vezes pra lá. Enfim, depois disso, fui encontrar a Alessandra e seu marido, Loa, para irmos juntos ao lugar onde eu ficaria hospedada. Quanto ao lugar, se tratava de um convento(isso mesmo, com freiras, capela e tudo mais), que uma tia da Alessandra, a Jeni, morava. Eu não sei se isso é igual pra todo mundo, mas eu adorei a idéia de ficar lá, conhecer um pouco do cotidiano das freiras, o que elas comem, se assistem televisão, se dão risada...enfim.
O convento ficava na região de Bourg la Reine e não era escuro e frio como eu imaginava. Tirando o piso de mármore de 1600, tudo já tinha sido reformado, o que deu ao lugar um ar leve, limpo e claro. Lá também funcionava uma escola para jovens surdos, e uma especie de asilo para as freiras que não estavam mais aptas a trabalharem.
Enfim, ja de cara fomos recebidos por todas as freiras com uma mesa de almoço farta; entrada, salada,prato principal, sobremesa, queijo e café. Eu fui apresentada ao meu quarto, que por sinal era bem melhor que todos os outros que eu já estive.
Nesse convento existem as freiras novas (que ainda estão estudando para se tornarem freiras). E uma coisa muito interessante é que muitas são do Vietnã e vieran pra cá em busca de "liberdade". Isso mesmo, no país delas a educação familiar patriarcal e o estado autoriatário não permitem que elas estudem ou tenham contato com outras realidades, culturas e expiências, e aqui, elas podem começar a ver o mundo com seus próprios olhos e pensar sozinhas. Muitas acabam desistindo de serem freiras, enquanto outras terminam seus estudos e voltam para o Vietnã para recrutarem novas jovens.
Foi extremamente bem recida no convento, sempre que estava lá(o que era dificil, porque Paris ficava me chamando pra rua) eu fazias as refeições com elas(sempre pontualmente). A Jeni, freira há uns 30 anos, sempre foi muito atenciosa e paciente comigo, e me ajudava com qualquer coisa que eu precisasse. Eu não tinha hora pra sair ou chegar, mas silêncio era a ordem. E sim, freiras comem comida normal, dão risada, dançam, querem conhecer o Brasil ,assistem tv, usam a internet e trabalham bastante.
Bom, nesse mesmo dia 7, ainda visitei um parque e depois caminhei pela região até o frio apertar. Quanto aos próximos dias, o frio apertou mesmo, mas ja ja eu mando notícias. :)
2 comentários:
Garanto que depois de conhecer Paris, a sua saudade deu uma trégua...
Adorei a história do covento! =)
E o quarto é uma delicinha!
Beijão Má, e sinta Paris!
Por isso que te adoro, as pessoas comuns e sem graca ficam em hostel, vc fica em um conventoooooo. Aqui no campo de refugiados tambem temos muitas meninas do Vietna, mas elas estao aqui porque sao pegas trabalhando como prostitutas na Europa, acho que estamos vivendo algumas coisas um tanto quanto diferentessss uahuhaa, bjaum saudadesss
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